quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Uma carta para o meu eu mais jovem, Ray Allen


Querido Ray de 13 anos,
Quando você sair do ônibus da escola amanhã, você estará em um mundo totalmente novo. Isso não é nada novo. Toda vez que seu pai for para uma nova base aérea você terá que dizer adeus para os seus amigos e começar uma vida nova. É a mesma rotina a cada três anos. Nova escola, nova cultura, novas pessoas.
Norte da Califórnia. Depois Alemanha, Depois Oklahoma. Depois Inglaterra. Depois Sul da Califórnia.
E agora Dalzell, sul da Carolina.
Você sempre será a criança que ninguém conhece. A maior parte da sua vida será tentar fazer novas amizades. Tentar mostrar para as pessoas que você é uma boa pessoa e que você não quer prejudicar ninguém. Você será um estranho.
Você será muito bom nisso.
Dessa vez no entanto é diferente. Estamos no meio do ano escolar, todo mundo se conhece. Você está em uma idade crítica, e crianças são apenas...
Crianças são apenas malvadas.
Você cresceu em uma casa militar. Até agora, seus amigos são todos filhos de militares. Você caminha no seu bairro com sua I.D por volta do seu pescoço como um cachorro. Você estudou em uma escola da Grã Bretanha. Você nem percebe mas para algumas pessoas você fala muito “certinho”.
Quando você sair do ônibus da escola no Sul da Carolina amanhã e abrir a sua boca, aquelas crianças irão olhar para você como um alienígena.
“Você é igual um garoto branco”, eles irão dizer.

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Você olha ao redor da escola e vê grupos de crianças unidos, e você se sente como se não tivesse um lugar.

Você vai pensar consigo, Eu não entendo. Quem supostamente sou eu?

Serei 100% honesto com vocês. Eu queria poder falar que seria mais fácil, que você se misturaria tranquilamente e que tudo ficaria bem. Mas você não vai se encaixar com as crianças brancas ou as pretas.... Ou com os nerds... Ou até mesmo com os atletas.

“Você é igual um garoto branco”, eles irão dizer.

Você será o inimigo de muitas pessoas porque simplesmente você não é daquele lugar.
Isso vai ser duro e ao mesmo tempo a melhor coisa que um dia vai acontecer com você.
O que eu quero que você faça é: Vá para a quadra de basquete. Fique na quadra de basquete. Você pode criar sua identidade lá.

O mundo é muito maior do que Dalzell, Sul de Carolina.
Lembre-se que quando você estiver deitado na cama no pelos sábados e domingos de manhã e você ouvir o barulho do carro de seu pai lá fora.

Você conhece esse som. Ele não é bonito.

Tudo que você quer é dormir, mas pegue seu tênis a desça as escadas correndo porque ele vai deixar você. Você tem exatamente dois minutos antes de ele partir. Ele está em uma horário militar, e se você não estiver na quadra de basquete da Força aérea para por o seu nome no topo da lista você terá que esperar o dia inteiro para entrar em quadra.

Você vai aprender muito naquela quadra. Uma criança de 13 anos jogando contra homens feitos, você aprenderá a jogar em transição se necessário. Você vai jogar tão rápido que todos os homens das Forças Aéreas começarão a chamar você de “Showtime” quando você entrar na academia.
Entre os jogos, quando você estiver na beira da quadra, eu quero que você ouça atentamente todas as histórias que esses caras contam.

Você vai ouvir muito  “Cara, eu poderia...” nessas quadras.

Cara, eu queria poder voltar no tempo.

Eu queria ter ido para D-I.

Cara, eu poderia...

Cara, eu deveria...

Eu queria voltar no tempo garoto....

Nunca se coloque em uma posição de querer voltar no tempo. Você precisa estar focado, porque as coisas só irão ficar mais complicadas quando você tiver mais sucessos dentro da quadra.


Quando você começa a chamar atenção das universidades, alguns dos seus companheiros de time irão falar coisas do tipo “UConn? Você ficará no banco por quatro anos.”

Apenas porque você não bebe, eles irão dizer, “Cara, você vai virar um alcoólatra uma vez que você entrar na faculdade. Você não vai estar pronto. Tudo que eles fazem lá é beber.”

Muitas pessoas não querem ver você se dar bem. Não entre no jogo dessas crianças. Confie em mim, não vai agregar em nada.

Ao invés disso, lembre exatamente de quem disse essas coisas.

Lembre-se de como eles disseram isso.

Lembre-se do rostos deles.

Mantenha essas vozes dentro da sua cabeça e use isso como combustível todos os dias quando você se levantar. E as vozes que dizem que você é o cara? Essas você não deve se iludir. Quando você começar a ser conhecido nacionalmente na escola, você vai ouvir coisas como, “O chute do Ray é um presente de Deus”.

Ouça: Deus não liga se você faz a cesta ou não.

Deus vai lhe dar muitas coisas na vida, mas não vai te dar o seu Jump Shot. Apenas o trabalho duro vai fazer isso.

Não seja tão ingênuo de pensar que você está pronto para o College Ball

Garoto, você não está pronto.

No high school, você acha que entende o que precisa para ser um grande jogador de basquete, mas você não tem nem ideia do que é isso. Quando você chegar em UConn, o seu treinador vai lhe mostrar o que realmente é pegar no pesado.

O seu nome é Jim Calhoun. Não entre na lista desse cara.

Quando você entrar na academia pela primeira vez, esteja pronto para o inferno. Você vai estar animado para por a sua Huskies e começar a chutar a bola. Mas então o treinador Calhoun irá mudar o script.

“Calouro!”, ele vai dizer. “Você acha que merece vestir esse uniforme? Você não merece esse privilégio. Pelo menos por enquanto.”

Então os assistentes técnicos irão começar a distribuir esses calções cinzas e as camisas para todos os calouros.

“Eu quero ver você suar”, O treinador vai dizer.

Até aquele momento você achava que basquebol era fazer alguns jump shots e mostrar suas habilidades.

Quando você começa a jogar para o Treinador Calhoun, logo de cara você já percebe, Oh, esse é um jogo de filha da puta.

Você vai conhecer o treinamento mais duro da sua vida. Você estará ofegando por ar, curvado. Mas a coisa é que a academia tem ar-condicionado. Seu corpo estava acostumado a jogar nas quadras sweatbox no Sul da Carolina, onde não tem ar-conficionado.

No final do treino, o treinador Calhoun vai por todos em linha e olhar no rosto de cada jogador.
Quando ele chegar em você, ele vai olhar para a sua camisa. Haverá uma única gota de suor escorrendo.

Ele vai olhar para você. E então para a gota de suor. Então voltará a olhar para você.
“É isso? Huh... Bem, eu acho que nós não pegamos pesado suficiente com você Allen.”

O próximo treino vai ser ainda mais duro.

Esse homem vai quebrar você, mas ele vai fazer você ser um jogador e pessoa muito melhor. Essa vai ser a introdução para o que realmente custa para ser um dos melhores.

Após alguns dias, você terá um dos momentos mais memoráveis da sua vida. Você vai acordar 5:30 a. m. irá a sala de musculação para treinar, após isso você vai voltar para seu dormitório tomar um banho e ir para a aula.

Você vai por uma camisa, pegar sua mochila e andar através do campus para a sua primeira aula do dia.

Ainda é cedo, então tudo ainda está quieto. As folhas estão esmagando em baixo dos seus pés. Você está dolorido, mas suas roupas estão limpas. Você tem que trabalhar. Você está preparado. Você tem um propósito.

Eu não sei o porque escolhi esse momento em particular, mas enquanto você estiver caminhando você irá pensar “Wow. Eu sou um universitário. Não importa o que aconteça no fim dessa jornada, eu vou fazer minha família ter orgulho de mim.

Quando você chega para a aula de falar em público e se sentar, uma garota vai se virar para você e vai dizer, “Hey, porque você está todo arrumado?”

Você irá dizer, “Porque eu posso.”

Naquele momento, você vai sentir como se tivesse conquistado o mundo.

Eu poderia terminar essa carta aqui, e você ainda estaria animado com o que eu iria conquistar na vida. Mas você ainda tem 18 anos e uma carreira inteira na NBA pela frente.

Como eu faço para resumir duas décadas dentro da NBA? O que você realmente precisa saber? O que é realmente importante?

Você vai jogar contra seus heróis: Michael Jordan e Clyde Drexler.

Você vai jogar junto com Hall da Famas: Kevin Garnett, Paul Pierce, LeBron James, Dwyane Wade.

Algumas vezes você vai sentir medo.

Algumas vezes você vai pensar que não pertence mais a liga.

Mas você vai continuar mostrando isso todas as noites com trabalho.

Você vai fazer mais de 26,000 chutes na sua carreira. Quase 6 em 10 não irão nem entrar. Vou lhe dizer que esse jogo é filha da puta.

No entanto não se preocupe. Um homem de sucesso é construído de 1000 falhas. No seu caso, 14,000 erros.

Você vai vencer um campeonato em Boston.

Você vai vencer outro em Miami.

As personalidades desses dois times serão diferentes, mas os dois times terão a mesma coisa em comum: Hábitos.

Velhos e entediantes hábitos.

Eu sei que você quer que eu lhe conte algum grande segredo para ter sucesso na NBA.

O segredo é que não há segredo.

Apenas velhos e entediantes hábitos.

Em cada vestiário que você estiver, todo mundo vai dizer todas as coisas corretas. Todo mundo diz que vai sacrificar o que for preciso para vencer um título. Mas o jogo não é um filme. Não é sobre ser o cara no quarto período. Não é sobre conversa. É sobre trabalhar o seu jogo todos os dias quando ninguém está te olhando.

Ouça: Deus não liga se você vai fazer o próximo chute.

Kevin Garnett, Paul Pierce, LeBron James, Dwyane Wade. Os caras com quem você vai vencer os campeonatos serão pessoas muito diferentes. O que faz deles campeões é o entediante habito que ninguém vê. Eles competem para ver que é o primeiro a chegar na academia e o último a sair.
Você pode achar que isso é clichê, ou você vai pensar que isso não se aplica a eles porque eles tem talentos que Deus deu a eles, irão jogar as suas inteiras carreiras sem vencer um título da NBA.

Mas eu quero que você entenda uma coisa mais profunda. Os campeonatos não são o ponto.

Sim, haverá um sentimento de validação e vindicação, quando você levantar o troféu acima de sua cabeça lembre de cada um que sempre disse que você não chegaria lá.

Quatro anos sentado no banco.

Alcoólatra.

Garoto branco.

Mas para ser sincero com você, o que você vai perceber depois de vencer o primeiro título é que o sentimento é passageiro. A vindicação é passageira. Se você perseguir tão alto, você vai acabar muito deprimido.

Os campeonatos são quase secundários ao sentimento de acordar cedo e trabalhar duro. Os campeonatos são como quando você estava sentando na classe em UConn com sua camisa. São apenas o ápice.

Seu caminho sinuoso a esses momentos é apenas como sua caminhada através do campus naquela manhã quieta do outono em Connecticut, é onde você encontrará a felicidade.

Eu realmente quero dizer isso do fundo do meu coração: A vida é sobre a jornada, não o destino. E essa jornada vai mudar você como pessoa.

Deixe-me contar uma última história que talvez possa ajudar você a entender o que isso significa.

Nas primeiras horas do dia 21 de Junho de 2013. Você está com 38 anos, e apenas algumas horas antes você venceu o Jogo 7 das Finais da NBA com o Miami Heat.

Você é campeão da NBA pela segunda vez

Você se deita na cama por volta das 5h, mas você simplesmente não consegue dormir. Finalmente lá pelas sete horas, você desiste de dormir e desce a escada. Todos os seus amigos e familiares vieram para sua casa para celebrar – eles estão todos desmaiados nos sofás com o sono pesado. Você vai nas pontas dos pés contornando eles até a cozinha para fazer alguma comida. O sol está nascendo, a casa está quieta. Você conseguiu exatamente o que queria. Mas você ainda está inquieto.

Porque você se sente assim? Não foi para isso que você trabalhou duro?

Lá pelas 7:30, você entra no seu carro e vai dar uma volta.

Você estaciona seu carro na frente de um prédio de escritório branco. Eles estão acabando de abrir. Quando você entra pela porta o recepcionista olha para você e diz, “Ray?, O que... O que você está fazendo aqui?”

“Eu não consegui dormir.”

“Mas... Você acabou de vencer um título.”

 “Sim, eu apenas queria sair da minha casa.”

“Mas... São oito da manhã. E você acabou de vencer um título.

“Bem, eu ainda tenho algum trabalho para ser feito nesse dente. Ele está?”

O seu dentista sai da sua sala.

“Ray? O que você... o que?”

“Eu não consegui dormir.”

Isse é o que o sucesso é para você. Você é o tipo de cara que vai ao dentista logo na manhã após vencer um título da NBA.

Eu sei, cara.

Eu sei.

Mas, para alcançar seus sonhos, você se tornará uma pessoa diferente. Você vai se tornar um pouco obsessivo sobre sua rotina. Isto virá com um custo pesado a alguns de seus amigos e a sua família.

A maioria das noites você não vai sair de casa. Os seus amigos irão lhe perguntar porque. Você nunca bebeu álcool, nunca. As pessoas vão olhar para você engraçado. Quando você chegar na NBA, você não vai sempre jogar cartas com os meninos. Algumas pessoas vão assumir que você não está sendo um bom companheiro de equipe. Você vai ter que até mesmo colocar sua família no segundo plano para o seu trabalho.


A maior parte do tempo você vai andar sozinho.
Isso não vai fazer você a pessoa mais popular. Algumas pessoas simplesmente não irão entender.
O preço vale a pena?
Apenas você pode responder.
Quem supostamente sou eu?
Amanhã quando você descer do ônibus da escola no Sul da Carolina, você terá que escolher.

Todos os dias para o resto da sua vida, você terá que escolher.

Você quer se encaixar (nos outros grupos da escola), ou você quer embarcar na busca solitária de grandeza?

Eu escrevo para você hoje como um homem de 41 anos que está se aposentando do jogo. Eu escrevo para você como um homem que está completamente em paz consigo mesmo.

O inferno que você experimenta quando você sai desse ônibus será temporário. Basquete irá levá-lo longe da escola. Você se tornará muito mais do que apenas um jogador de basquete. Você vai atuar em filmes. Você viajará pelo mundo. Você se tornará um marido, e o pai de cinco filhos incríveis.

Agora, a questão mais importante em sua vida não é: "Quem eu deveria ser?" Ou até mesmo, "O que eu tenho que fazer para ganhar outro campeonato?"

É, "Papai, adivinha o que aconteceu na aula de matemática hoje?"

Essa é a recompensa que espera por você no final de sua jornada.

Vá para a quadra. Fique na quadra.

Faça o seu trabalho, jovem.

A maioria das pessoas nunca realmente irão conhecer o verdadeiro você. Mas eles conhecerão o seu trabalho.

RAY ALLEN / CONTRIBUTOR


Então galera espero que tenham gostado!! Dei o melhor de mim... Quem quiser a matéria original está aqui


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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Minha Última Temporada


É isso, minha última temporada.
É hora de seguir em frente do jogo de basquetebol.
Como em qualquer decisão difícil, eu acho que você tem que estar em paz consigo mesmo. Eu estou em paz com a aposentadoria, mas eu tenho mais uma última corrida. Mais uma temporada. Mais uma oportunidade.
Com o Clippers, na cidade onde eu cresci, eu sinto que eu tenho essa oportunidade em um grande time. Nós estamos famintos. Nós queremos vencer um campeonato.

Depois de 18 anos na NBA, é difícil de acreditar que estarei jogando em cada arena pela última vez. Então eu vou aproveitar cada treino, cada viagem de ônibus, cada jantar com o time, cada corrida para fora do túnel. Eu vou fazer a minha parte para nós chegarmos ao objetivo final.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Dezoito


Kobe Bryant
Aposentado/ Los Angeles Lakers
Cace ou seja caçado, essa sempre foi minha mentalidade. Eu não escondi a agressividade de competição para trás nos All-Stars Games, nos eventos patrocinados, e a ideia de que o final de semana das estrelas era um desejado descanso.
Os fãs votaram em mim para me assistir contra os melhores. Essa é a competição que eu amo.
Se em contrapartida está pronto ou não, descansado ou não, ou apenas se sente indo dentro das emoções, não tem nada a ver comigo. Quando eu jogo, eu compito, e se você estiver muito ocupado querendo agradar os fás ou as celebridades na beira da quadra então eu vou te demolir na frente deles.
Eu quero o MVP. Não existe nenhuma vergonha em sentir isso. Porque deveria? Eu quero que o mundo me veja dominar os jogadores que estão nos debates de milhares e milhares de fãs. O espirito de competição é divertido para mim.
Como um fã, eu só posso esperar que um jogador decida jogar o jogo do mesmo jeito que eu faço, e elevar isso a outro nível. Ser um agressivo passivo nessa liga significa que você está bem com simplesmente ir com o fluxo e não quer perturbar as águas calmas do jogo para realizar seus objetivos.
Eu vejo isso como fraqueza. É da sua natureza competir. Jogue a bola pra cima e vamos ver quem é o Alpha.
Talvez eu seja apenas Old School. Talvez minha linha de pensamento é a de um telefone rotatório. Talvez a geração smartphone se diverte compartilhando jogos de dominância. Talvez eles gostam de viradas. Talvez eles gostam de competir agressivamente passivo.
Talvez eu seja o cara com problema, talvez é normal ter muitos Alphas, talvez eu seja o fraco, o egoísta. Talvez, apenas talvez...
De qualquer jeito, eu recuso a mudar quem eu sou. Um leão tem que comer, corra comigo ou corra de mim.

Link da matéria original em inglês:  http://www.theplayerstribune.com/8teen/


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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Estou em casa

Fala galera a partir de agora sempre que eu puder vou postar umas traduções que os jogadores publicam no no Players Tribune e outros textos desse tipo. Vamos começar com o Jared Dudley que recentemente voltou ao Phoenix Suns e escreveu uma carta.

Jared Dudley
PF / Phoenix Suns

Meu primeiro jogo em Phoenix é uma coisa que sempre lembrarei.

Quando eu fui trocado para aqui, eu sabia que teria que tirar o máximo dessa oportunidade. Eu fui mandado para Phoenix de Charlotte para a troca pode acontecer - você sabe, um cara para sentar no banco de reservas – no acordo que trouxe J-Rich para o Suns. Então enquanto eu estava empolgado para dividir a quadra com Nash e Amar’e, eu tinha expectativas para mim mesmo.

Mas tudo mudou após o meu primeiro jogo.

Cara, eu lembro como se fosse ontem. Eu vindo banco, pisei na quadra e fiquei em choque.

A torcida me aplaudiu de pé. Um jogador de segundo ano que tinha 19 minutos por jogo em um time que não era de Playoff.

Aquele amor, aquele carinho – nunca me esquecerei daquele sentimento. Aquilo me disse que Phoenix era a minha casa, e eu nunca esqueceria isso desde então.

Esse era o tipo de time que o Suns era quando eu me juntei.

Durante o meu primeiro ano, nós estávamos no avião voltando para o Arizona depois de uma longa viajem.

Eu, Amar’e e alguns outros jogadores estávamos nos preparando para jogar Poker.

Todos estavam sentados, prontos para começar, e logo quando eu iria começar, Shaq me cortou.

“Espere, espere, espere um segundo” ele disse. Enquanto tentava sair do seu assento. Nós não tínhamos certeza o que tinha acontecido. E ele tinha um olhar de alguém sério que queria contar algo muito importante.

Ele tirou os fones da sua imensa cabeça e disse: “Vocês tem que escutar esse som que eu acabei de fazer.”

Nós todos olhamos para ele confuso e começamos a rir.

"De verdade”

A batida que ele fez não foi lá aquela melodia... Apenas uma mistura de diferentes barulhos de armas combinados com um som de bateria.

DJ Shaq.

Você está de brincadeira?

Mas esse era o time que nós éramos. Nós gostávamos de jogar, mas também gostávamos de passar o tempo juntos. Esse era o sentimento da cidade também. As pessoas estavam muito felizes de morar lá.

Aquela primeira temporada abriu os meus olhos. Olhando para trás, eu realmente aprecio o quão sortudo eu fui de jogar com um cara como Steve Nash.


Sabe aqueles chutes incrédulos que ele fazia durante os jogos? Aquilo não era sorte, era treino.

Aquele cara nunca deixava a academia. Ele era o primeiro a chegar na quadra e o último a sair.

Eu me lembro de longas viagens no “fundão” do ônibus com Nash e Grant Hill, que são fontes de sabedoria. Eu costumava a perguntar ao Nash como ele fazia para prolongar a sua carreira e ele me dizia como levava a sério a sua dieta. Esses caras faziam mais pelo jogo fora da quadra que eu nunca teria imaginado.

A atitude e perseverança do Steve (Nash) eram contagiosas e se espalharam por toda a organização. Nós todos seguimos a sua liderança e naquele primeiro ano com o Steve foram muito importantes. Alvin Gentry assumiu o cargo de técnico do Terry Porter e antes do primeiro treino ele me disse “Enquanto eu for o técnico você terá a oportunidade de jogar, aproveite o máximo dela.”

Aquilo me deu confiança para jogar o meu jogo.

Nós fomos um dos primeiros times a se preocupar com o espaçamento em quadra, estilo muito popular hoje em dia. Nossos treinos eram todos sobre ritmo elevado e chutar bolas de três.

Foi o melhor lugar no qual eu estive envolvido em toda minha carreira. Todos faziam a coisa certa pois não havia outro jeito para fazer aquilo. E é por causa daquela cultura que eu estou excitado de voltar a jogar pelo Suns. Eu quero que nós resgatemos aquela efervescência daquele time de 2010.

A cidade estava pegando fogo. Quero dizer, ela estava elétrica.  Quando nós pegamos o Spurs na segunda rodada dos Playoffs de 2010, aquilo foi outra coisa. Eu vi Steve logo depois do jogo 4 e ele tinha lagrimas nos seus olhos. Você sabia o quão isso significava para ele e para a nossa cidade.

Nós voamos para casa naquela noite, e quando finalmente o ônibus chegou a arena tinha talvez uns 200 torcedores esperando por nós. As três da manhã. Esse tipo de conexão não acontece com muita frequência. Nós estávamos assinando autógrafos e “high-fiving”, e as pessoas nos falando de como eles estavam orgulhosos de serem fãs do Suns. E eu não pude me sentir mais orgulhoso de vestir aquela camisa e representar eles.


A corrida em 2010, aquelas foram uma das melhores semanas da minha vida, e aquele grupo de caras me mostraram como jogar para uma cidade igual Phoenix. Sendo um cara novo você está feliz indo longe nos Playoffs, mas você também está jogando para os veteranos. Nós sempre falávamos “Essa é pelo Steve”, ou “Essa é pelo Amar’e.” Steve foi duas vezes MVP que se sacrificou muito pelos seus companheiros e fez todos serem melhores. Era nossa chance de pagar ele e os outros veteranos também.

Mas agora as coisas são diferentes. É uma nova era do Suns basketball, e sou um jogador muito diferente.

Ser trocado em 2013 foi duro, mas foi o movimento certo para a franquia naquela época e eu entendi isso. Meu tempo em L.A. (Clippers) foi curto, mas isso me mudou. Eu não estava conseguindo ficar saudável e jogar com todo o meu potencial. Então o time me enviou para Milwaukee porque eu não estava contribuindo. Na hora fiquei muito desapontado. Essas são o tipo de trocas que podem pegar você como jogador. Mas aquela troca mudou para uma das melhores coisas que já aconteceram comigo.

Você não percebe quando vira um veterano, apenas acontece. Em Milwaukee, eu era o segundo jogador mais velho do pior time com pior campanha da liga. Quando Jabari Parker se lesionou, isso me deu uma chance de voltar a ser titular e eu estava em plenas condições de ajudar os mais jovens a se desenvolver do mesmo jeito que os veteranos em Phoenix me ajudaram. Giannis Antetokounmpo era meu garoto. Eu seria seu ouvido dentro da quadra, ou no banco. Quando ele continuou evoluindo, eu fui ao treinador Kidd.

Você tem que começar com Giannis no meu lugar. Se nós queremos seguir em frente ele precisa jogar.

Eu sabia qual era o meu papel, e ver esses caras ficarem melhores e pegarem meu lugar, eu fiquei muito orgulhoso disso. Nós fomos do pior time da liga para os Playoffs e perdemos para o Bulls em seis jogos.

Naquela temporada eu comecei a ver o meu trabalho diferente. Eu tive diferentes responsabilidades, que não estavam listadas em nenhum contrato. Eu estava lá quando Jabari estava se reabilitando, e tentei motivar ele o máximo que eu pude.
Até isso acontecer, eu não tinha percebido o quanto jogar com caras como Steve e Grant tinham me ajudado.

E é por isso que eu estou ansioso para trazer a atmosfera daquele Phoenix de 2010 de volta. Era uma mistura de profissionalismo e de diversão.
Eu me lembro de um dos meus primeiros dias entrando no vestiário do Suns em 2008 e lá estava o Shaq.

O Showman.




Eu estava muito intimidado no começo, mas ele fez uma piado comigo logo de cara.

“Garoooto, você parece uma versão hip-hop do Grant Hill!”

Todo mundo caiu na gargalhada. Shaq era o cara que você sempre queria estar por perto. Na verdade o time inteiro era cheio de caras desse tipo. No nosso time todos queriam jogar um pelo o outro, e isso mais que tudo fez o nosso time melhor.

Eu pensei muito sobre onde ir nessa free agency. Então quando o Phoenix me ofereceu essa chance de voltar, eu não tive dúvidas.

Deixe eu falar para vocês uma coisa, a free agency é uma loucura.

O Suns estava procurando por um cara para trabalhar com os seus jovens que eles tem, e o time e eu sentimos que eu era perfeito para o papel. Não me leve a mal: eu ainda vou contribuir, mas eu também vou deixar minha marca fora da quadra. Eu estou aqui para fazer as coisas do jeito certo, porque não há outro jeito de se fazer isso. Essa é uma hora muito boa para ser um fã do Phoenix Suns. Eu sei que posso ter um papel maior nesse time, não apenas nesse ano, mas para os próximos cinco anos. Esse é o meu objetivo.

Phoenix é onde eu quero estar.

É o lugar onde eu virei o homem que eu sou hoje, e eu devo muito a essa cidade.
Mal posso esperar para devolver isso a comunidade, e estar lá para cumprimentar os fãs. Eu quero construir memórias que vão além do basquetebol para a cidade de Phoenix.

Eu não poderia estar mais feliz de estar em casa.

Agora vamos trabalhar.

JARED DUDLEY


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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Jogador Block Party da Temporada 2015/16

Fala galera, como no fim da temporada temos muitos “prêmios” no JBP. Vou por aqui nessa matéria o JBP de Abril, o JBP Pós All-Star Game e o JBP da temporada!

Jogador Block Party de Abril


O mês de Abril ficou marcado pelo ÚNICO mês na temporada que Hassan Whiteside não venceu nessa temporada. Se contarmos quantos meses desde a temporada passada (Quando começou o JBP) Whiteside já venceu SETE  de doze meses possíveis. (Sendo que os dois primeiros meses da última temporada ele não jogou).

E agora o Jogador Block Party Pós All-Star Game (TOP 20), a média de blocks por noite PASG foi de 4,90 Blocks.



Além de Whiteside (obviamente), Paul Millsap foi uma grata surpresa nessa reta final de temporada vencendo 5 noites, na última temporada o jogador não havia vencido nenhuma noite.


            Agora vamos ao Jogador Block Party da Temporada



Tivemos 161 noites de jogos na temporada, o nosso TOP 20 venceu 111 noites (68,94% do total). A média da temporada foi de 4,88 Blocks/por noite.

Hassan Whiteside ganhou o prêmio pela segunda vez. Whiteside também venceu cinco dos seis meses (não venceu apenas em Abril), um recorde no JBP. Além disso ele foi o JBP pré e pós o All-Star Game. Whiteside simplesmente DOBROU o número de noites vencidas em relação a última temporada. Além disso o jogador teve 269 Blocks, (mais Blocks em uma temporada desde Marcus Camby 285 Blocks em 2007-08 pelo Nuggets). Hassan também ficou em terceiro no DPOY. ( e achou que merecia mais).

Outros destaques foram Paul Millsap que não havia vencido nenhuma noite na temporada anterior, nessa venceu 7x ficando na terceira colocação. Porzingis também venceu 7x, um tapa na cara pra quem vaiou o jovem jogador do Knicks no Draft de 2015.

Outra ótima surpresa foi Bismack Biyombo, que de minutos reduzidíssimos em Charlotte passou a ser peça fundamental para o segundo colocado no Leste, o Toronto Raptors.

Alguns veteranos mostraram que ainda tem muita gasolina para queimar e não fizeram feio, Pau Gasol (4x) e Tim Duncan (3x) ficaram respectivamente em 11º e 18º no JBP.

Nesse TOP 20 apenas UM jogador não é PF ou C, e ele atende pelo nome de Jerami Grant (Philadelphia 76’ers), o jovem jogador do 76’ers venceu quatro noites e ficou na 13º colocação no JBP. Ele foi eleito para o (1st Team Block Party), desbancando nada mais nada menos do que a fera grega Giannis Antetokounmpo.


                Então galera é isso, espero que tenham gostado, até a próxima!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

First Team Block Party 2015-16

Fala galera, vamos ao 1st team block party da temporada (First Team Block Party 2014-15). Esse time seria o mais temível da temporada em Blocks por posição (PG, SG, SF ,PF, C e 6th man). Mas primeiro vamos a algumas notas.

Jogadores prejudicados por lesões: Anthony Davis, New Orleans Pelicans (4x JBP da noite, jogou 61 jogos), Jhon Henson, Milwakee Bucks (6x JBP da noite, jogou 57 jogos), Rudy Gobert, Utah Jazz (5x JBP da noite, jogou 61 jogos e brigaria pelo 6th man da temporada).

Menções honrosas aos jogadores que tiveram uma boa temporada em Blocks mas ainda sim ficaram fora do 1st Team Block Party:

SF - Giannis Antetokounmpo, 113 Blocks na temporada.

PF - Kristaps Porzingis 7x JBP da noite (134 Blocks na temporada), Pau Gasol 4x JBP da noite (146 Blocks na temporada) e Paul Millsap 7x JBP (139 Blocks na temporada)

C – Bismack Biyombo, 5x JBP (133 Blocks na temporada) e Karl-Anthony Towns 1x JBP (138 Blocks na temporada, recorde de um Rookie na franquia)

Rookies de destaque:
Nessa temporada tivemos ótimos protetores de aro surgindo, e já que eles são o futuro da liga, olho neles!

Kristaps Porzings, Karl-Anthony Towns, Myles Tuner e Willie Cauley-Stein

E agora sim vamos ao 1st team Block Party

PG – John Wall 1x JBP da noite, 59 Blocks na temporada.

SG - Danny Green  64 Blocks na temporada.

SF – Jerami Grant 4x JBP da noite, 127 Blocks na temporada.

PF – Ibaka 6x JBP da noite, 148 Blocks na temporada.

C – Hassan Whiteside 22xJBP da noite, 269 Blocks na temporada(Mais Blocks em uma temporada desde Marcus Camby 285 Blocks em 2007-08 pelo Nuggets).

6th man – DeAndre Jordan 8x JBP da noite, 177 Blocks na temporada.

Aí está a nossa fera da temporada!

Só lembrando que você pode encontrar todos os vencedores das noites usando a hashtag #JBPNBA , um abraço a todos e que venham os Playoffs!