terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Como nós jogamos basquete na Sérvia


            Eu só ligava para cavalos.

            Eu sempre amei basquete, mas quando eu era pequeno — até quando eu tinha 13 e 14 anos — eu estava indo pra corridas de cavalos. Eu nem treinava muito basquete. Eu ia pra está-bulos, só pra ser o garoto de lá. Essa era minha vida. Eu corria (com cavalos). Não profissionalmente, mas como amador. Eu até fiquei em quarto lugar uma vez. Era um bom hobby.

            Eu realmente comecei a jogar e treinar basquete apenas no meu último ano morando na minha cidade natal, Sombor. Lá é bom. Podem pesquisar no Google. É no norte da Sérvia. Eu descobri que eu poderia viver de basquete. Podia ser meu trabalho e amor ao mesmo tempo. Eu sabia que eu poderia ser bom —  eu não sabia se iria jogar pra NBA. Mas talvez na Europa.


            Crescendo, eu assistia as seleções, porque quando você é um garoto na Sérvia, era isso o seu objetivo. Eu não acompanhava muito a NBA, porque na Sérvia, os jogos passavam as 3 ou 4 da madrugada. Quando o Youtube foi lançado quando eu tinha 15 anos, eu assitia ao Magic por causa de seus passes, o Hakeem por causa dos seus post moves, e o Michael Jordan porque ele é o Michael Jordan.

            Quando eu era criança, eu asssistia meus irmãos. Eles também jogam basquete. Nós tinhamos umas quadras perto da nossa cidade natal. Quando eles iam jogar nessas quadras, eu os assistia com minha chupeta. Eu sou uma mistura dos dois. Um é talentoso, e o outro é muito forte. Eu sou um pouco talentoso, e um pouco forte.

            Nosso apartamento era muito pequeno. Tínhamos dois quartos: cozinha e banheiro. Era minha mãe, pai, meus dois irmãos, minha vó e eu. A casa sempre estava cheia. Meus irmãos —  na verdade primos, mas na Sérvia os chamamos de irmãos — também vinham de vez ou outra. A casa sempre estava cheia de gente, e nós sempre fazíamos bagunça. Nós éramos malucos. Nós fazíamos muito barulho.


            Nós até tínhamos nossa própria mini tabela de basquete no apartamento, e meus irmãos jogavam comigo quando eu era pequeno. O vizinho de baixo sempre reclamava que fazíamos muito barulho.
            Quando eu comecei a jogar, eu estava muito gordo, e ainda não muito alto. Eu era pivô, mas eu também jogava de armador. Eu driblava por toda quadra. Eu jogava pra me divertir, sabe? Mas quando eu fiz 16 anos, eu senti que eu realmente poderia jogar. E esse foi o ano que eu fui da pequena cidade de Sombor para Novi Sad, uma cidade grande.
            Na Sérvia, você jogava para um clube e ia para o colégio, eles são separados. Não é como nos Estados Unidos, onde você jogava pelo time do colégio. Mas, todo ano, todas as escolas da Sérvia tem um grande torneio de basquete. Eu joguei pela minha escola em Novi Sad, e nós ganhamos o torneio.
            Nos meus dois primeiros jogos na liga maior, a júnior, eu joguei muito bem. O KK Mega Basket ( clube de basquete da capital da Sérvia, Belgrade) me viu, me ligou e ficou em contato nessa meia temporada. Depois, na próxima meia temporada, eu fui para o Mega.

            A Europa e a NBA jogam dois basquetes completamente diferentes. Quando você vê o placar na Europa, normalmente está tipo 58-50. E foi um bom jogo. Mas aqui nos Estados Unidos os jogos tem 100 ou 120 pontos. Na Europa, eles se esforçam muito na defesa. Se um time faz 80 pontos, o problema foi da defesa.
            Nós só queremos defender bem. No ataque você tem a liberdade de atacar se livre. Todos podem chutar. Se tiver 20 segundos no relógio, você pode chutar se livre. Nosso técnico queria que nós defendessemos, e depois correr,correr,corrrer. Mas... nós não defendíamos tão bem. A gente era muito talentoso, e podia pontuar, mas não defender tão bem.
            Ano passado, nós estávamos nas finais da Copa Nacional contra o Zvezda. Na Europa, especialmente na Sérvia, os torcedores são malucos, especialmente contra o Zvezda ou o Partizan. Esses são os maiores times com uma grande história na Sérvia. Os jogos entre si são considerados dérbis. Eu joguei em Oakland, San Antonio, Oklahoma City, e Utah. O Utah Jazz tem uma ótima vantagem em casa. Mas na europa, tem mais paixão. Acho que é a vida dos europes, ser um torcedor daquele time.
Contra o Zvezda, todo o ginásio estava contra a gente. Você está no túnel, e ouve o “dum, dum, dum” dos tambores e é muito intenso. O ginásio estava cheio de névoa, torcedores gritando,e  apoiando durante todo o jogo.

Era muito doido, já que éramos o time mais novo. Eles não nos conhecíamos. Todos estavam vaiando, e eu estava tipo “Vocês nem conhecem a gente! Aposto que nenhum de vocês conhece todos os 12 jogadores na quadra.”

Eu errei o arremesso da vitória. Naquele momento eu estava pensando “ Caramba! Eu errei o arremesso para o troféu! Seria a primeira vez na história do clube!” Eu estava meio triste, mas eu não pensei mais naquilo depois daquela noite.
Eu acertarei o próximo arremesso.

            Todo jovem jogador Europeu, como uma tradição, tem que jogar primeiro dois anos na Euroleague, e depois ir pra NBA. Mas eu não ligava para a NBA em princípio. Na segunda parte da minha última temporada, nós tínhamos alguns contatos com os Nuggets. Eu pensei que talvez eu conseguisse, já que sou novo. Eu poderia me desenvolver como um jogador da NBA, não como um jogador Europeu.

Na verdade, eu estava dormindo quando o Nuggets me draftou.
            Meu irmão preparou uma pequena festa até com champagne, e ele me ligou pra me contar. Eu atendi o telefone, mas eu não estava realmente ouvindo nada. Eu só falei pra ele, “ Por favor, cara, eu tô dormindo”. Então desliguei. Por isso só ouvi na manhã seguinte.
            Eu não achava que seria grande coisa. Eu pensava, eles me escolheram, eu fico um ano a mais na Europa. Eu não achava que ia direto pra NBA.
            O Barcelona, um dos melhores times da Europa, veio me assistir, e eu joguei a minha pior partida. Eu acho que fiz 4 pontos, e isso talvez tenha sido um sinal que a Europa não era pra mim. No final da temporada, o Nuggets me ligou, e falaram que me queria no seu time.

            Repentinamente, tudo ficou diferente. Tudo.
Os vestiários, treinos, academia, as pessoas. Nós tinhamos uns 10 técnicos. O estilo de jogo envolvia correr muito. Especialmente para os pivôs, se você conseguir ser rápido, você vai ser bom na NBA.

            A melhor parte é viajar. Com o Mega, nós íamos de ônibus, durava umas 10 horas. O que não é bom pra alguém que é grande como eu. Agora só viajamos de avião.

            Até o jogo é diferente. Na Europa temos 4 quartos, 10 minutos cada. Aqui, 4 quartos de 12 minutos. Basicamente tem um quarto a mais aqui.


            Uma coisa que não mudou, pra mim, é a paixão.

            Vocês viram algumas vezes que alguns jogadores me puxam ou seguram minha perna. Eu amo esse tipo de jogada no basquete. Isso é como jogamos na Sérvia. Ano passado, eu converti uma and-one, e comecei a gritar, animado. E o cara simplesmente me empurrou, e eu cai e dei uma cambalhota. Meus companheiros começaram brigar por mim. Isso que eu quero continuar a fazer. Não brigar, mas sim continuar com a paixão pelo jogo. Eu não quero que o basquete seja só minha profissão. Eu quero manter essa paixão.
PHOTOGRAPH BY JOE MURPHY/NBAE VIA GETTY IMAGES
            É melhor que corrida de cavalos.


CONTRIBUTOR

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Como Nós Jogamos Basquete na Polônia

CENTER / WASHINGTON WIZARDS

Eu estava em Nova Jersey, não muito longe da cidade de Nova York. Eu só sabia disso. Eu normalmente não sou quieto, mas estava naquele dia, em pé no canto de uma sala de conferência de um hotel perto de uma mesa com café e muffins.

Kevin Durant passou por mim. Depois Greg Oden passou por mim. Eu sabia quem eles eram, mas apenas através da televisão. Alguns jogadores que eu reconheci da EuroBasket também estavam de pé e conversando, mas eu não era um grande amigo de nenhum deles. Então eu fiquei olhando para os meus sapatos esperando tudo começar.

Para um cara de 23 anos da Polônia, o programa de transição dos calouros da NBA era um pouco mais que intimidante.

Era junho de 2007, logo depois de eu assinar com o Orlando Magic, e eu estava presente no primeiro dia do programa em Nova Jersey, cercado de dezenas de faces que eu reconhecia mas ninguém que eu realmente conhecia. Era como um acampamento de verão esquisito.

Um jogador, não me recordo o seu nome, vem até mim e me encara.

“Ei, grandão, você foi escolhido em qual posição?” ele pergunta.

“Cinquenta e sete”, eu digo orgulhosamente.

Ele começa a rir um pouco pra si mesmo.

“Cinquenta e sete? Você vai sair da NBA em dois anos.”

“Veremos” Eu respondi.

 

Eu nem tinha tocado em uma bola de basquete até os 17 anos, quase 18. Eu pensava que futebol era meu futuro, como toda criança atlética da Polônia.

Eu fiz alguns eventos de atletismo também, como arremessar peso, salto em altura, e corridas de 100 e 400 metros, mas eu amava futebol. Como era rápido e alto, acabei me tornando naturalmente um goleiro.

Mas mesmo não jogando, o basquete sempre me fascinava.

Todo dia que chegava em casa do treino de futebol, eu ligaria a TV e um jogo de basquete estava passando. Eu amava assistir o Dejan Bodiroga, um famoso jogador Sérvio que era simplesmente espetacular. Ele ganhou medalhas e campeonatos em toda a Europa. Ver ele destruir na Europa provavelmente foi o que iniciou a minha vontade em jogar basquete em primeiro lugar. Eu também amava a NBA, mas pra mim, Bodiroga era o cara.

Um dia, eu cortei caminho pela quadra de basquete do meu colégio indo para o treino de futebol. Deixei minhas coisas no chão e peguei uma bola largada. Eu queria ver se eu poderia ser que nem o Bodiroga. Foi aí que os meus companheiros de time me viram.

“Marcin, o que você está fazendo? Você é o goleiro.”

Eles estavam rindo.

“Sim, cara. Vai pro gol.”

 

Eu joguei a bola no aro. Meu primeiro arremesso. Não acertei, mas foi perto.

“Essa é a rede errada, Marcin”, falou um de meus companheiros.

Eles ainda estavam rindo.

Mas era muito tarde. A bola sentiu muito bem saindo da ponta de meus dedos. Eu estava apaixonado.

“Que se ferre tudo isso,” eu disse a eles. “Eu quero jogar um pouco de basquete.”

 

O estado do basquete na Polônia atualmente é ... bem, não está muito bem.

Entendam, na Polônia nós não temos quatro ou cinco jogadores indo pra NBA por ano como a França e a Espanha. Eu sou o quarto polonês da história a chegar a NBA, e dado o estado do programa do time nacional polonês, provavelmente não terá outro em um bom tempo.

Isso é porque nós não temos um programa pra realmente ensinar as crianças. Eu faço o melhor pra ajudar, acampamento de basquete para os menores e uma iniciativa que manda jogadores promissores para os EUA para jogar em campeonatos amadores. Mas ainda vai demorar alguns anos para o primeiro grupo completar o programa.

Não era sempre assim. Nós éramos melhores. A Polônia amava basquete. Nas décadas de 60 e 70 nosso time jogava em quase todos Jogos Olímpicos, e éramos competitivos. Mas desde 1984, quando nasci, a Polônia não se qualifica a uma edição dos Jogos.

Tinha até tempos que jogos da NBA eram televisionados na Polônia. Depois de assistir Michael Jordan, Grant Hill e Shaq, crianças queriam começar a jogar basquete de rua. Mas quando o basquete saiu da televisão pública por causa de algo chamado o Ato de Transmissão de 1992, tudo começou a desmoronar.

 

Era 2001. Eu avisei a meu técnico de futebol que eu iria largar o esporte pra jogar basquete, e ele achou que eu era maluco.

“Está falando sério? Você não pode fazer isso quando tem quase 18 anos! É muito tarde! Você tá jogando sua carreira futebolística fora!”

“Eu sei, professor. Mas eu só quero tentar. Eu tenho que ver o que é possível de ser feito.”

Ele ficou surpreso, mas disse que a porta estaria sempre aberta para mim se eu decidisse voltar a jogar futebol.

Dois dias depois, fui a meu primeira treino de basquete. Nunca mais joguei no gol.

Os técnicos de basquete ficaram muito felizes quando eu apareci no primeiro dia. Já que tinha sido um goleiro, eu fazia um bom trabalho com as mãos e os pés. Minha altura também ajudava, é claro. Mesmo que eu ainda tinha muito o que aprender sobre o jogo, eles estavam vendidos. E eu também.

 

Antes que eu percebesse, já estava jogando profissionalmente pelo ŁKS Łódź, o time local. Isso foi insano, jogar no time do mesmo bairro em que cresci. Naquele mesmo ano eu comecei a jogar com o time juniores da Polônia. Que doidera. Logo um ano depois que comecei a jogar basquete, eu já estava no Sistema do time nacional.

Foi aí que percebi que o programa polonês de basquete estava desmoronando.

Em primeiro lugar, foram contratados alguns técnicos que não encaixavam no programa. O país começou a perder muitos jogos também, e não tinha disciplina alguma. Era uma bagunça. Por causa disso, a federação começou a perder muitos patrocinadores. A gente não tinha dinheiro para coisas que outras seleções tinham. Invés de treinarmos em instalações deportivas com boas condições, praticávamos nos piores ginásios. Invés de ficarmos em belos hotéis 5 estrelas, dormíamos em lugares sujos, e caindo aos pedaços.

Depois de um ano com o Łódź, meus técnicos fizeram algo que realmente me surpreendeu. Mesmo sabendo que seria pior para o time, eles me encorajaram a sair da Polônia para continuar jogando basquete. Eles disseram que seria melhor para a minha carreira se eu fosse para algum lugar onde eu realmente pudesse aprender e trabalhar com um bom programa. A imagem de Dejan Bodiroga, a lenda da Sérvia, não saia da minha cabeça, Tinha uma razão porque o basquete deste país era tão bom na década de 90.

Mas não tinha olheiros assistindo meus jogos no Łódź. E isso começaria a mudar, graças a Vince Carter.

Em 2003 eu viajei até a França com o time sub-20 da Polônia para participar em um torneio. Foi aí que participei do meu primeiro concurso de enterradas.

Na primeira tentativa, eu fiz uma enterrada pelo meio das pernas. Nada demais

Na minha segunda, eu queria me mostrar, então eu imitei o Vince Carter e enterrei com todo meu braço dentro da cesta fazendo que eu estivesse segurando o aro com meu cotovelo.

Eu não tinha conhecido o Vince pessoalmente, claro, mas até crianças polonesas sabiam de suas enterradas.

Aquele enterrada venceu o torneio para mim.

Logo depois, RheinEnergie Cologne, um time profissional alemão, queria assinar comigo – 18 meses depois de eu ter pego uma bola de basquete pela primeira vez.

 

Mesmo não jogando muito no meu primeiro ano, eu ainda chamei a atenção de olheiros. Algumas pessoas perto de mim falaram para eu entrar para o draft de 2005, então eu fui.

Eu não tinha ideia de como o draft da NBA funcionava. Meu agente explicou que tinham 30 escolhas no primeiro round, e também me disse que eu não tinha nenhuma chance ali. Depois disso tinham mais 30 escolhas no segundo round, e ele estavam confiante que eu seria escolhido logo no começo da segunda rodada.

A primeira rodada se passou, e eu não fui escolhido. Depois começou a segunda rodada, e ainda nada. Quando as escolhas estavam chegando na casa de 40, meu nome ainda não tinha sido chamado. Naquele ponto, meu agente explicou que talvez fosse melhor não ser draftado já que ninguém teria meus direitos. Parecia que eu estaria retornando pra Alemanha.

Faltando quatro escolhas para o fim do draft, eu ouvi meu nome. Quando o Suns me escolheu com a escolha No.57 eu não ligava sobre direitos (mesmo que o Phoenix Suns tenha me trocado para o Magic após 10 minutos). Eu estava em êxtase. Eu tinha acabado de ser draftado para jogar na NBA, e isso era o mais importante.

Eu não conseguia esperar até chegar a Orlando, eu achava que estava no topo, que ia para o plantel logo de cara e ter uma boa e longa carreira.

Até que eu conheci Brian Hill.

 

Eu odiava tanto o Brian Hill.

Agora, Hill é locutor para o Magic, mas em 2005 ele era o técnico, e eu realmente achava que ele não gostava de mim.

Eu joguei na Summer League pela primeira vez em 2005, e depois disso, ele falou que eu tinha que voltar para a Europa. Eu estava desapontado.

Na próxima temporada, eu tinha certeza que iria para o plantel. Eu tive um ótimo ano na Alemanha, e fui muito bem na Summer League. Mas novamente, Brian Hill me cortou do elenco.

Eu estava devastado. Eu achava que eu nunca teria uma chance na NBA.

Eu nunca tinha realmente falhado em algo na minha vida antes, e eu estava com medo que isso seria a primeira coisa. Eu tava com medo de falhar – voltar para a Polônia e estando tipo, Ah, meu Deus. O que eu faço da minha vida agora?

Eu adoro ir para o ginásio durante a off-season para treinar. Eu sou um escravo ao ginásio. Mesmo agora, enquanto todos estão festejando, em festas na piscina, festas em iates e indo para Vegas, Miami, Bahamas ou qualquer outra coisa, eu me orgulho de suar todos os dias na academia. Além do mais, você consegue me imaginar em uma daquelas boates em Vegas? Por favor.

Depois de outro ótimo ano na Alemanha (uma temporada em que pela primeira vez na história do clube participamos da EuroLeague) eu voltei para a Summer League da NBA determinado a ir bem. Eu também gastei minhas férias tentando adicionar ao meu jogo assistindo alguns dos grandes jogadores a jogarem nas posições 4 e 5 – Kevin Garnett e como ele se comunicava, e Tim Duncan e sua defesa perto do aro.

 

Isso também foi quando Stan Van Gundy assumiu como técnico.

Logo após disso, eu estava no elenco.

Brian e eu estamos tranquilos atualmente. Alguns anos atrás eu o contei o quanto o odiava por me deixar fora do time. Eu achei que ele ia ser defensivo, mas ele me surpreendeu. Ele me disse que o jogador que eu sou agora é completamente diferente do que foi mandado de volta a Europa.

            Ele estava certo. Obviamente não pensava dessa maneira, mas o Brian Hill me fez um favor nesses dois primeiros anos. Ele me forçou a melhorar todos os aspectos do meu jogo, a ficar mais forte, e cobrar muito mais de mim mesmo. Mesmo que eu acreditava em mim mesmo, eu ainda tinha que esperar o momento certo – o meu momento.

            Três anos depois depois de pegar em uma bola de basquete pela primeira vez, eu fui selecionado. Dois anos após isso, eu cheguei a NBA. Dois anos depois, eu cheguei as finais da NBA. Recentemente alguém me contou que a única outra Quinquagésima-sétima escolha a durar mais de 10 anos na liga foi Manu Ginobili. Nada mal.

            Algumas vezes, eu penso naquela sala de conferência de um hotel em Nova Jersey em 2007, e todos os jogadores que foram selecionados antes de mim. Muitos deles tiveram carreiras magníficas. Outros jogaram apenas algumas temporadas antes de desaparecer da liga. Acho que do que tenho mais orgulho é de como melhorei ano após ano por uma década. Quando você pega uma bola pela primeira vez com 17 anos, tem muito o que se aprender.

            De vez em quando penso naquele cara que veio até mim no primeiro dia do programa de transição de calouros, perto da mesa com café e muffins. De uma maneira estranha, por duvidar de mim, ele me ajudou a me inspirar. Eu gostaria de contá-lo isso, mas eu não tenho certeza do que aconteceu com ele.

           

 

CONTRIBUTOR

 

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domingo, 4 de dezembro de 2016

Regras do Jogador Block Party - NBB

Jogador Block Party - NBB

Como vai funcionar: Após cada semana, eu vou ver quem deu mais tocos. Ele vai ser o vencedor, ou seja, o Jogador Block Party da semana. Caso dois ou mais jogadores empatarem no número de tocos, o primeiro critério de desempate será quem jogou menos minutos. Se persistir o empate aquele que tiver mais tocos na temporada até o momento será Jogador Block Party da semana.

Teremos também o Jogador Block Party da temporada regular, que será quem venceu mais semanas ao longo da temporada. Caso houver algum empate no número de semanas vencidas, o primeiro critério de desempate será: somar os tocos nas rodadas nas quais os jogadores ganharam. Caso o empate persistir quem deu mais tocos na temporada ganha.

Aqui vai uma ressalva, como o calendário no site do NBB está dividido em semanas tive que alterar o formato do JBP. Um problema que não consegui contornar (em vista do calendário estar divido em semanas, não rodadas como na temporada passada) é que as vezes um time joga duas vezes em uma semana e outro talvez nem jogue. O que torna um pouco “injusto”. Mas como não tem como separar por rodadas  então vai ter que ser assim...

Gostaríamos de destacar também o trabalho do nosso parceiro @LayupBR que sempre faz a edições das imagens para nós. Não deixem de acompanhar o trabalho dele.

Usem a TAG #JBPNBB para ver quem venceu cada semana.


Concluindo:  É bem simples o que eu vou fazer, e o que vai ser valorizado aqui é a consistência do jogador na defesa. Apesar de a defesa não ser apenas tocos. E se alguém tiver alguma sugestão pode entrar em contato comigo pelo Twitter: @blockpartty. Valeu, abraço.

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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Uma carta para o meu eu mais jovem, David Robinson

HALL OF FAMER / NBA

Caro David de 18 anos,
Por favor deixe-me lhe dar alguns sinceros avisos sobre algo do futuro.
Amanhã de manhã, você vai fazer seu primeiro teste de natação na Academia Naval dos Estados Unidos. Acredite ou não, a Marinha exige das plebes para realmente ser capaz de nadar.
Claro, você já conhece essa parte. Você está em boa forma, certo? O que é um pequeno banho de manhã?
Mas o que você pode não perceber é apenas quanto tempo 20 minutos de pisar água parece.
Isso mesmo, 20 minutos.
Quando você entra pela primeira vez na piscina, você vai se sentir bem. Mas depois de 10 minutos, seus braços e pernas vão estar queimando tanto que você vai querer parar. Depois de 15? Eu não quero nem te dizer.
Mas você vai pensar sobre o seu pai, e o que ele diria se você falhasse, você vai encontrar uma maneira de manter a cabeça acima da água por 20 minutos.
O único problema é que você ainda não terminou. Seu instrutor de sobrevivência de água com cara de pedra vai gritar, "OK, agora 100 metros de rastejamento".

Não há descanso. Não há, "Senhor, posso respirar um pouco?"

Você está ao mar em águas profundamente abertas sem um PFD (dispositivo de flutuação pessoal), ou pelo menos é isso que seu instrutor está gritando. Afundar ou nadar, plebe.

Você escolhe nadar.

Um pensamento virá à sua mente como você empurrar fora da parede e usar toda a força restante do seu corpo de 6’8” para fazer seu primeiro golpe.

Oh meu Deus. O que eu fiz?

Quando você tocar a parede e virar para iniciar sua segunda volta, outro pensamento virá à mente.

Uh-oh. Estou afundando.

Você está esgotado. Você pega a parede e diz ao instrutor: "Eu não posso fazer isso."

Você, David Robinson, reprovou o seu teste introdutório de natação.

Seu teste de natação. Na Marinha.

Amanhã à noite, quando você se deitar em seu quarto após esse constrangimento e você olha para o teto por horas, você terá outro pensamento. Este é muito importante.

A onde estou me metendo? Por que estou fazendo isso?

Eu quero que você pense muito sobre esta questão em particular.

Nós dois sabemos a resposta óbvia: Você escolheu a Academia Naval por causa de seu pai e avô, que serviram nas forças armadas.


Seu avô é e sempre será seu herói, sua inspiração. Lutou na segunda guerra mundial, veio para casa em Little Rock, Arkansas, e trabalhou por 50 anos como um carteiro no segregado sul. Nem uma vez ele conseguiu uma promoção de emprego em cinco décadas. Mas ele continuou trabalhando da mesma forma. Ele economizou dinheiro suficiente para comprar um piano para sua casa, e ele usou para ensinar seus quatro filhos a tocar. 
Quando você pensa naquele piano, você não pensa em música. Você pensa em toda a família ao redor do piano. Você pensa em quanta alegria ele espalhou. Era mais do que um piano, era um símbolo de algo.
Acima.
Mantendo a família erguida.
Continue trabalhando e salvando e esforçando-se para um futuro melhor para seus filhos e para os filhos dos seus filhos, mesmo se você não vai estar por perto para ver isso se concretizar.
Isso é o que seu avô fez, chuva, neve ou granizo.
Eu quero que você pense sobre a integridade e coragem quando você está olhando para o teto de sua sala de barracas , mas eu também quero que você pense um pouco mais fundo. Você precisa aprender uma lição prática. Apenas coragem não vai salvá-lo de afundar.
Lembra quando seu pai costumava fazer você estudar uma página do dicionário todas as noites depois da escola? Então, no dia seguinte, interrogava você sobre as definições.
"O.K., David, a palavra seguinte é ambidestro."
"Pai, isso é loucura. Nenhuma das outras crianças está fazendo isso! "
"Ambidestro.…"
Seu pai exigente muito de você (na verdade, muito parecido com um treinador que você vai ter no futuro com o nome de Larry Brown, mas isso é uma história para outra hora.) Mas a razão que ele é tão exigente é porque ele está te preparando para o mundo real. Ele não está apenas dando-lhe as ferramentas para se destacar na escola e, eventualmente, escolher onde você vai para a faculdade, ele também está mostrando-lhe como ter sucesso em sua vida após o basquete.
Ele está fazendo o que seu avô fez por ele.
Acima. Sempre para cima.
Como você constrói um vocabulário sólido?
Da mesma forma que você constrói uma casa.
Tijolo por tijolo. Palavra por palavra. Noite após noite.
A mesma regra se aplica a aprender a nadar, ou desenvolver um post move, ou construir um negócio.
A preparação é tudo. Esta é uma verdade simples, mas inegável que está completamente perdido em você aos 18 anos de idade.
A razão que estou escrevendo para você agora não é o teste de natação. O teste de natação não é nada. Vamos lá, você é um garoto afro-americano da Virgínia. Você não cresceu exatamente mergulhando no oceano todo verão. Basta relaxar e praticar todos os dias, e você vai passar o teste de natação.
O que isso realmente é, é sobre como você vai abordar esta coisa muito curta chamada vida.
Eu vou deixar cair uma bomba sobre você agora.
Em quatro anos, você será um alferes na Marinha dos EUA, e você ganhará um salário mensal de US $ 1.260,90.
Eu sei que soa como uma enorme quantidade de dinheiro para comprar pizza, mas não, isso não é o melhor.
 A bomba é que você vai ser escolhido na primeira posição do Draft pelo San Antonio Spurs.
Você vai assinar um contrato de US $ 3 milhões, com um bônus de US $ 1 milhão.
Você estará em uma base submarina em Kings Bay, Geórgia, servindo com o seu compromisso de dois anos na Marinha, esperando para jogar na NBA, e você receberá um cheque por um milhão de dólares.

Será o momento mais surreal da sua vida. Você estará sentado na estação de controle de mergulho do U.S.S. Submarino Buffalo preocupado sobre suas funções como engenheiro civil, quando você parar para pensar, eu tenho um milhão de dólares no banco.

Este é realmente um ponto de virada em sua vida.

É por isso que eu quero que você reflita muito sobre a questão que vai aparecer em sua cabeça quando você falhar o seu teste de natação.

Por que estou fazendo isso?

Quando eu escrevi esta carta para você, você estará muito mais velho, e um pouco mais grisalho. Você experimentou tantas coisas incríveis, e a abundância, também.

Você vai ganhar duas medalhas de ouro olímpicas, levantar dois troféus da NBA, assinar mais muitos contratos, e, inevitavelmente, sua carreira vai acabar, como todas as coisas, e você vai começar uma segunda vida como um empresário.

Mas a pergunta permanece. Se estamos falando sobre o teste de natação, ou sua conta bancária, ou o que você faz da sua vida após a NBA...

Por que estou fazendo isso?

Você vai ganhar mais dinheiro do que seu avô poderia sonhar em ver. Meu conselho para você é guardar esse primeiro milhão de dólares. Não toque nele. Viva do seu salário militar. É suficiente.

Seus companheiros o respeitarão pela sua integridade e caráter, não suas posses. O que você vai fazer de qualquer maneira, dirigir uma Ferrari em torno da base naval? Como isso vai ajudar alguém?

Use o poder financeiro que você será abençoado para criar uma empresa possa investir na comunidade, especialmente a comunidade afro-americana. E criar laços com as muitas pessoas influentes que você conhece ao longo do caminho para que você possa criar uma fundação que irá dar suporte para os jovens como você alcançar seus sonhos.

Eu odeio dizer isso, mas no futuro, o tempo será muito mais implacável. O mundo será lugar muito desafiador para jovens afro-americanos como você. Nem todos eles terão modelos como o seu avô.

Então, antes de eu deixar você, lembre-se destas duas coisas:

Quando você falhar o teste de natação, não fique muito decepcionado. Apenas se lembre como seu pai construiu o seu vocabulário com um grosso dicionário. Prática, filho.

E quando você receber esse bônus de assinatura, não comece a pensar sobre todas as coisas que você pode fazer com US $ 1 milhão. Em vez disso, pense em todas as coisas que seu avô fez com US $ 100.

Quando tudo der errado, confie em Deus.

Atenciosamente,

David


Para quem quiser o link da carta no Players Tribune está aqui

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